Maria Mãe

"É preciso uma aldeia para educar uma criança".
Este é um blog de partilha de experiências ligadas à temática da maternidade e ao futuro dos nossos jovens.
Aceita-se a colaboração de mães, pais, avós, professores, médicos, políticos, artistas, artesãos, miltares, economistas, engenheiros... cidadãos.
Toda a ALDEIA!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Preto e cinza


Os miúdos, por muito bem educados que sejam, todos têm as mesmas fases, as mesmas “pancadas”. Invariavelmente todos fazem as suas fitazinhas, as suas birras. Todos se rebolam no chão, se sujam, se magoam. Todos são especiais e todos são iguais.
A mãe é a má da fita. A avó ou o avô , os seus heróis, claro está.
Mas não há mães perfeitas, como também não há mães péssimas porque dão uma uma palmada merecida, ou porque de vez em quando berram, quando o seu limiar de pachorra e tolerância já transpôs todas as barreiras do largo espectro materno.
As mães, embora não pareça, são seres humanos, com os seus defeitos e as suas virtudes. Claro que os defeitos são, invariavelmente, os mais apontados, os mais visíveis, os mais comentados. Claro que eu também os tenho, apenas não admito críticas… mas isso é outra conversa…
Por vezes, leio coisas escritas por mamãs, mães perfeitas, retratos pintados a cor de rosa, com alguns laivos de branca candura e uma doce lisura.
Penso: será mesmo assim? Será que eu não soube…? Ou será que a palete de cores que se escolhe para “botar figura” é que é diferente da minha?
Sabem, é que a minha palete de cores, desde muito cedo, foi muito limitada: preto e cinzento. Cabia a mim colori-la o mais possível, superar os erros da genética e o desígnio de Deus. Não era tarefa fácil, pois não?
Soube? Não soube?
Tudo uma questão de cores…

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Madrasta


Dei o pontapé de saída num dia muita reflexão, de muita angústia, de muita incerteza.
Quero destinar este espaço à problemática da relação mãe-filho; professor-aluno; enfim… adulto- jovem, criança.
Para começar escolhi o difícil tema Mãe.
As mães têm um papel indubitavelmente fundamental na formação e educação dos seus filhos. E isso é ponto assente.
E quando as coisas falham?
E quando há cisões no núcleo familiar e os filhos são instrumentalizados? Como fica e onde fica esse papel, tão imensurável e indiscutivelmente importante?
E quando surgem outras pessoas para as quais o nosso dicionário inventou nomes tão feios como madrasta ou padrasto?
Detesto estes nomes, sobretudo o de madrasta. Fazem-me lembrar aquelas histórias que nos contavam em crianças e na qual estas pessoas desempenhavam sempre um papel maquiavélico.
No dicionário electrónico Priberam, a definição de madrasta aparece nos seguintes termos:
1. Mulher casada, em relação aos filhos que seu marido teve, de núpcias anteriores.
2. Fig. Mãe que maltrata os filhos. adj. f.
3. Descaroável, ingrata, cruel.
Feio, não é? Assustador, ingrato, sinistro, medonho e quantas vezes falso…??!!
Lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo e do direito da adopção por casais homossexuais à parte, não poderá uma criança ter duas “mães”? Não se tornará a sinistra figura da madrasta numa segunda mãe? Ou por vezes na única?
Imaginemos, apenas imaginemos, um convívio familiar, entre madrasta e enteado que se estende por décadas e propícia o desenvolvimento de uma cumplicidade maternal. Que é a madrasta que está presente quando o enteado adoece, quando a enteada dá entrada na maternidade, quando o filho do marido (e não dela) se separa da sua esposa ou quando a filha do esposo (e também não dela) termina a sua licenciatura.
Imaginemos, simplesmente imaginemos, que é essa figura que o nosso imaginário colectivo conotou como feia e má, que toma como seu neto o filho da enteada e que com ele sofre as cólicas; que o adormece nos braços quando os dentes ameaçam romper; que o vai espreitar ao intervalo da escola primária; que… enfim, que lhe provoca um brilho nos olhos, de orgulho, quando o petiz começa a tornar-se homenzinho.
A mãe, aquela que efectivamente concebeu e deu à luz, esteve longe por motivos pessoais, profissionais, de estado ou de consciência. O tempo passou e longe continuou, agora por motivos de saúde ou de doença, de esquecimento ou de percepção, de deslembrança ou de circunstância, mas não está, tal como não esteve.
Quem esteve e está foi a figura que a nossa cultura imortalizou como cruel e o nosso imaginário conotou como invariavelmente ingrata e malvada, que roubou o lugar da mãe.
Será?
Isto da linguística, da tradição, da memória colectiva tem muito que se lhe diga, não tem?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Há muito, muito tempo

Esta foi uma história que começou há muito, muito tempo.
Hoje não será o dia mais indicado para a relembrar, mas apeteceu-me "dar o pontapé de saída". E dei.
Outros pontapés, sorrisos, vitórias, lágrimas, contos e recontos conto escrever, se a tanto me ajudar o engenho e a arte.