Há coisas que o tempo não consegue apagar, por muitas voltas que o mundo dê, por muitos dias que sucedam às noites, por muitos verões de chuva ou invernos de seca, por muitas voltas da Terra em torno do Sol e da Lua em torno da Terra, há instantes que permanecem eternos e que deixam as sua marcas indeléveis, resistentes à degradação dos neurónios, ao todo poderoso Deus Tempo que tudo apaga, às lágrimas que correm que nem rios, à dor que nos arranca a alma ou à alegria que nos arremessa para a vida.
Para uma mulher, o dia em que soube que estava grávida é um desses momentos. Este dia marca o princípio de um sonho, que não será só dela, certamente, mas que cresce dentro dela e só ela o consegue sentir, fazer crescer, transportar, experimentar. Só ela percebe porque se sente especial, merecedora de todas as atenções, não por ela, mas por aquele ser que cresce dentro dela, pela Esperança que vai tomando forma de gente dentro do seu ventre.
A partir deste dia, o sonho vai transformando-se, paulatinamente, em realidade, em volume, em projectos, em mil e um objectos que se reúnem para receber aquele pequeno pedaço de nós. As ecografias escutadas, observadas, revistas, passadas de mão em mão com a sombra do pezinho, do dedo a chuchar, deve ser uma comilão… Começam os pontapés e imagina-se um futebolista. Um, dois, três….a contagem dos dez movimentos diários, nem menos um pode ser.
E a barriga vai crescendo, a pele recusa-se esticar mais, as estrias vão aparecendo, apesar dos cremes milagrosos que anunciam na televisão. Nada importa. Nem mesmo a noite em que falta o ar e sobra o sono, em que a cama é demasiado pequena e a imaginação não conhece limites. E ainda faltam 3 meses, mas já está tudo pronto para o primeiro filho, neto, sobrinho. Tudo pronto e ainda faltam três meses…
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Maria
ResponderExcluirLi o teu texto com emoção. Não há nada mais belo do que ser mãe.
Bjs
De facto, é verdade. Acho que basta sentir que está prestes a acontecer.
ResponderExcluirObrigada e bj
MM