Parei a “estória” do Matias, mas prometo recomeçá-la em breve.
Vou “saltar” vinte e tal anos e partilhar um pouco da minha angústia.
O Matias foi o primeiro filho, mas outros se seguiram. Irmãos, irmã.
A irmã do Matias, a Matilde, sempre foi muito senhora do seu nariz! Determinada, trabalhadora, responsável, persistente, auto-confiante. Tudo aquilo de que uma mãe se pode orgulhar, “encher a boca” com o desempenho escolar, “babar-se” com as fotos, etc.
Aos dezasseis anos, a Matilde entendeu que já tinha idade para namorar! Dezasseis anos… tão nova!
“Mas o que é que tu entendes por namorar? Ainda és muito nova e a escola…”
“ A escola estará sempre à frente. Sou responsável. Todas as minhas amigas namoram. Todas, menos eu! Eu vou provar que sou uma mulher (aos 16 anos…)! Ele é o homem da minha vida (ele de 17 anos…!). Vocês vão ver. Eu sei o que sinto. Eu amo-o. “ e blá, blá,blá.
A muito custo, lá consentimos o namoro. Afinal, até nisto ela mostrou responsabilidade e respeito pelos pais. Poderia simplesmente ter começado o namorico e nada dizer… deve ser o mais habitual. Mas não. Ela queria tudo bem definido.
Confesso que me custou, e ainda me custou mais quando meia dúzia de meses depois, a Matilde comunicou que o namoro tinha terminado.
Poderia ter relembrado todo o seu discurso, de mulher, de amor da sua vida, mas achei que o melhor era calar. De parva ela não tem nada, certamente percebeu, aprendeu. E tinha cumprido a sua promessa. Os resultados escolares mantinham-se num alto nível de desempenho. Ponto final no assunto namoro.
Passados uns meses, o olhar da Matilde começa a brilhar, novamente, de forma diferente. As sms não paravam, a toda a hora. Percebi que havia, novamente, “mouro” na costa. Mais uma vez, a irmã do Matias comunicou aos pais o seu “amor”. Comunicou apenas, já não pediu autorização para…
Será que a autorização dos pais é uma decisão vitalícia e irrevogável??
Mas desta vez foi diferente. Conheci o rapazote. Muito querido, por sinal. Simpático, bem formado. Jogador de uma equipa de râguebi, afastado da família, pois estudava fora. Aos fins de semana, quer chovesse quer fizesse sol, lá ia eu com a minha filha assistir aqueles jogos, no meio da lama ou debaixo de um sol abrasador. Conheci os pais do garoto, que me pediram para que “olhasse” por ele, uma vez que eles estavam longe.. Ia buscá-lo, ia levá-lo. Assistia aos jogos e aos treinos. Horas e horas a torcer por uma equipa que jogava uma coisa completamente absurda, a meu ver. Mas lá estava. Afeiçoei-me ao rapazito. Mandava-lhe sms antes de cada jogo importante, ou de cada exame. Ele respondia, agradecendo, sempre. Passei a ter outro filho.
Ao fim de um tempo, seis meses, talvez, a Matilde comunica que o jogador já era.Tinham acabado! Nem queria acreditar! O “meu” menino do râguebi? Eu gostava tanto dele!! Tão querido, educado, atencioso. E os pais, coitados? Até me tinham “confiado” o acompanhamento dele! Não acredito, “mas tu não tens juízo, filha?” A resposta foi um olhar fulminante e um bater da porta do quarto.
Pelo menos, a sinceridade, a abertura e as boas notas mantinham-se.
Após uns tempos, um outro rapazote começou a rondar a porta.
Vinha buscar a Matilde para a acompanhar até à escola. Uma outra vez, vinha eu a sair com a minha filha, trazendo o saco do lixo na mão. Qual não é o meu espanto quando o dito rapazote (aparecido não sei de aonde), pegou no dito saco e foi depositá-lo no contentor!
E lá apareceu o brilhozito nos olhos dela, lá recomeçaram as sms, lá voltámos a esticar o cabelo (já de si bem liso), a pintar as unhas, a ter o máximo cuidado com a indumentária.
Até que um dia, o dito rapaz, aborda-me dizendo que namorava com a Matilde.
“Outro?, pensei…”.
E lá comecei tudo de novo. Mas este rapazito parecia-me ainda mais especial do que o último. Extremamente educado, simpático, solicito. Tratava-me pelo meu título académico – Drª – e não por D. ou Srª, convidava-me para almoçar com eles, ou só com ele, quando a Matilde não podia estar. Falava-me da vida dele, dos seus objectivos, das suas preocupações. Conversava sobre o Matias, a Matilde e os irmãos. Elogiava os meus filhos. Nutria uma especial admiração por mim, segundo as suas palavras. Às tantas, estava mais “rendida” do que a Matilde.
Entretanto, foi estudar para fora. Correspondia-se comigo por e-mail. Pedia-me que tomasse conta(!) da Matilde, em todos os mails reforçava a confiança e a amizade que nutria por mim. Dei voltas e mais voltas para lhe conseguir uma passagem área, durante o verão, a preços reduzidos. Fui buscá-lo ao aeroporto, como se fosse outro filho meu. E assim continuámos… até hoje.
Hoje, ao sair do meu local de trabalho, estava o “meu genro” à porta, à minha espera. Dei-lhe um abraço forte, como se dá a um genro, pois não sabia que ele estava em Portugal. Perguntei-lhe se estava tudo bem. A resposta que obtive foram duas lágrimas a escorrerem-lhe pela cara. Apenas disse “Sabe como é a Matilde…, mas o que interessa é que esteja tudo bem com ela e com vocês. Eu cá hei-de recompor-me.”
“Ele há-de recompor-se… e eu? Já chega! Não quero saber de mais namoros! Sou coração de manteiga, mesmo. Mas quem manda a mim afeiçoar-me desta forma? Agora sofro as dores do miúdo como fossem as minhas! Maldita a hora em que autorizámos o primeiro namoro! Agora choro o desgosto do rapazito, em silêncio, pois a Matilde lá deve ter as suas razões. As filhas têm razões que as mães desconhecem…”
Filhos criados, trabalhos dobrados!!
Vou “saltar” vinte e tal anos e partilhar um pouco da minha angústia.
O Matias foi o primeiro filho, mas outros se seguiram. Irmãos, irmã.
A irmã do Matias, a Matilde, sempre foi muito senhora do seu nariz! Determinada, trabalhadora, responsável, persistente, auto-confiante. Tudo aquilo de que uma mãe se pode orgulhar, “encher a boca” com o desempenho escolar, “babar-se” com as fotos, etc.
Aos dezasseis anos, a Matilde entendeu que já tinha idade para namorar! Dezasseis anos… tão nova!
“Mas o que é que tu entendes por namorar? Ainda és muito nova e a escola…”
“ A escola estará sempre à frente. Sou responsável. Todas as minhas amigas namoram. Todas, menos eu! Eu vou provar que sou uma mulher (aos 16 anos…)! Ele é o homem da minha vida (ele de 17 anos…!). Vocês vão ver. Eu sei o que sinto. Eu amo-o. “ e blá, blá,blá.
A muito custo, lá consentimos o namoro. Afinal, até nisto ela mostrou responsabilidade e respeito pelos pais. Poderia simplesmente ter começado o namorico e nada dizer… deve ser o mais habitual. Mas não. Ela queria tudo bem definido.
Confesso que me custou, e ainda me custou mais quando meia dúzia de meses depois, a Matilde comunicou que o namoro tinha terminado.
Poderia ter relembrado todo o seu discurso, de mulher, de amor da sua vida, mas achei que o melhor era calar. De parva ela não tem nada, certamente percebeu, aprendeu. E tinha cumprido a sua promessa. Os resultados escolares mantinham-se num alto nível de desempenho. Ponto final no assunto namoro.
Passados uns meses, o olhar da Matilde começa a brilhar, novamente, de forma diferente. As sms não paravam, a toda a hora. Percebi que havia, novamente, “mouro” na costa. Mais uma vez, a irmã do Matias comunicou aos pais o seu “amor”. Comunicou apenas, já não pediu autorização para…
Será que a autorização dos pais é uma decisão vitalícia e irrevogável??
Mas desta vez foi diferente. Conheci o rapazote. Muito querido, por sinal. Simpático, bem formado. Jogador de uma equipa de râguebi, afastado da família, pois estudava fora. Aos fins de semana, quer chovesse quer fizesse sol, lá ia eu com a minha filha assistir aqueles jogos, no meio da lama ou debaixo de um sol abrasador. Conheci os pais do garoto, que me pediram para que “olhasse” por ele, uma vez que eles estavam longe.. Ia buscá-lo, ia levá-lo. Assistia aos jogos e aos treinos. Horas e horas a torcer por uma equipa que jogava uma coisa completamente absurda, a meu ver. Mas lá estava. Afeiçoei-me ao rapazito. Mandava-lhe sms antes de cada jogo importante, ou de cada exame. Ele respondia, agradecendo, sempre. Passei a ter outro filho.
Ao fim de um tempo, seis meses, talvez, a Matilde comunica que o jogador já era.Tinham acabado! Nem queria acreditar! O “meu” menino do râguebi? Eu gostava tanto dele!! Tão querido, educado, atencioso. E os pais, coitados? Até me tinham “confiado” o acompanhamento dele! Não acredito, “mas tu não tens juízo, filha?” A resposta foi um olhar fulminante e um bater da porta do quarto.
Pelo menos, a sinceridade, a abertura e as boas notas mantinham-se.
Após uns tempos, um outro rapazote começou a rondar a porta.
Vinha buscar a Matilde para a acompanhar até à escola. Uma outra vez, vinha eu a sair com a minha filha, trazendo o saco do lixo na mão. Qual não é o meu espanto quando o dito rapazote (aparecido não sei de aonde), pegou no dito saco e foi depositá-lo no contentor!
E lá apareceu o brilhozito nos olhos dela, lá recomeçaram as sms, lá voltámos a esticar o cabelo (já de si bem liso), a pintar as unhas, a ter o máximo cuidado com a indumentária.
Até que um dia, o dito rapaz, aborda-me dizendo que namorava com a Matilde.
“Outro?, pensei…”.
E lá comecei tudo de novo. Mas este rapazito parecia-me ainda mais especial do que o último. Extremamente educado, simpático, solicito. Tratava-me pelo meu título académico – Drª – e não por D. ou Srª, convidava-me para almoçar com eles, ou só com ele, quando a Matilde não podia estar. Falava-me da vida dele, dos seus objectivos, das suas preocupações. Conversava sobre o Matias, a Matilde e os irmãos. Elogiava os meus filhos. Nutria uma especial admiração por mim, segundo as suas palavras. Às tantas, estava mais “rendida” do que a Matilde.
Entretanto, foi estudar para fora. Correspondia-se comigo por e-mail. Pedia-me que tomasse conta(!) da Matilde, em todos os mails reforçava a confiança e a amizade que nutria por mim. Dei voltas e mais voltas para lhe conseguir uma passagem área, durante o verão, a preços reduzidos. Fui buscá-lo ao aeroporto, como se fosse outro filho meu. E assim continuámos… até hoje.
Hoje, ao sair do meu local de trabalho, estava o “meu genro” à porta, à minha espera. Dei-lhe um abraço forte, como se dá a um genro, pois não sabia que ele estava em Portugal. Perguntei-lhe se estava tudo bem. A resposta que obtive foram duas lágrimas a escorrerem-lhe pela cara. Apenas disse “Sabe como é a Matilde…, mas o que interessa é que esteja tudo bem com ela e com vocês. Eu cá hei-de recompor-me.”
“Ele há-de recompor-se… e eu? Já chega! Não quero saber de mais namoros! Sou coração de manteiga, mesmo. Mas quem manda a mim afeiçoar-me desta forma? Agora sofro as dores do miúdo como fossem as minhas! Maldita a hora em que autorizámos o primeiro namoro! Agora choro o desgosto do rapazito, em silêncio, pois a Matilde lá deve ter as suas razões. As filhas têm razões que as mães desconhecem…”
Filhos criados, trabalhos dobrados!!

Maria
ResponderExcluirTambém sou mãe de adolescentes.
Tinha alterado alguma coisa se não tivesse havido uma primeira autorização? Não, provavelmente.
Mas acho uma boa ideia não haver uma relação muito profunda com namorados e namoradas dos nossos filhos. Só quando decidirem casar. E mesmo assim, não se divorciam?
Bjs
Teresa,
ResponderExcluirNão sei se teria alterado alguma coisa... provavelmente não. Mas eles são tão novos!!
É tão difícil ser mãe...
Bj